Uma nau e um porto.

Sabe quando você lê nessas páginas feministas e/ou auto ajuda algo do tipo: “Se ame” – Se ame primeiro. Eu, sinceramente, nunca entendi de fato o “amar a si mesmo” – não que eu trave uma luta por não gostar de mim, mas não havia encontrado uma fórmula que iluminasse essa ideia do amar a si mesmo. Aliás, ame a si mesmo. Ame mas não com a fórmula de um livro, de um enorme texto sobre como fazê-lo. Cada mulher tem o seu jeito de amar a si e em consequência o outro.

Não consigo me amar vivendo completamente sozinha, não necessariamente preciso de alguém ao meu lado, preciso mesmo é ter a intenção de fazer bem a alguém de alguma forma. Se uma pessoa que eu admiro fica bem com um ato meu, isso faz com que eu me ame – ou esse ato tem haver com ego? À partir do momento em que meu ato é feito com coração, automaticamente estou livre de ego. E o que é o amor pra mim? É a liberdade que sinto dentro de mim mesma para liberar o meu verdadeiro eu – pronto, você já está se amando!

Não precisa se culpar por amar alguém de volta, mesmo que essa volta não faça tanto sentido e aconteça mais dentro do que fora. As relações acontecem muito mais dentro de nós mesmos do que em palavras. Ao longo do tempo vivi grandes histórias (estórias) que me levaram a aceitar que cada um tem um tempo e que nem eu e nem você estamos aqui para fazer do meu mundo uma grande fábrica de realizações de desejos.

Não é fácil elucidar essa ideia vendida do amor próprio, da quase autonomia completa. Certo dia parei e fiquei tentando entender a minha missão aqui no mundo, missão essa nada fácil, na-da, e que há anos fujo pro outro lado quando me deparo com ela. Isso é frustrante!! Requer que eu largue muitas ideias, e o mais estranho é saber que é algo totalmente necessário pra mim e para muitos que precisam, de verdade, com urgência de amor.

Sabe, enquanto isso, enquanto eu não tomo coragem de me rasgar por inteiro, de me jogar nesse mundo em que centenas de milhares precisam de verdade de um olhar mais atento e até mesmo resolver questões imediatas, vou errando, me ocupando de sensações maravilhosas mas que não fazem muito sentido a longo prazo – por que na verdade estou me refugiando dentro de algo em que não caibo, que não me foi pedido – dentro de mim, quando um mundo inteiro aqui fora necessita de mim.

– referências do filme “Pocahontas” que tem uma lição muito bonita.

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As premissas de “Vem”, o 4º cd da Mallu.

Eu não nasci pra ver o mundo desabar.

(Navegador – Mallu Magalhães)

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foto: Revista Rolling Stone

Antes mesmo de dedilhar sobre o teclado acerca do novo álbum da Mallu Magalhães que lança amanhã, preciso dizer sobre as minhas premissas a partir do momento em que ouvi os 4 primeiros singles de “Vem”.

“Nunca vai acontecer o pior, antes que ele aconteça algo intervirá”

É sempre bom alerta sobre o quão aguentamos nessa vida, seja para o Deus da sua crença ou para um caso, mãe, pai, amigos e animais de estimação. Ou fazemos o alerta através do afastamento, pela coragem austera de uma “dr” ou através de música. “Você se faz de louca, mas tô sacando o teu veneno. Não vem na minha sopa, não vem no meu terreno” – avisa Mallu no primeiro vídeo clipe do “Vem”, “Você não presta”. E ponto final, tá tudo ali exposto, debochadamente esclarecendo que não há segredo ou mistério, apenas a certeza de que todos têm seu mundo particular e que ninguém entra.

Comecei a entender, e agora já falando da obra musical da Maria Luiza, que há uma jovialidade no seu interior e também uma imensa coragem de eclodir como um vulcão. Uma certa dependência assumida, o medo de ficar sozinha, são alguns dos temas abordados no antigo disco “Pitanga”. “Vem” já avisa que “Eu não vou tentar te convencer de nada” – Ou me aceita do jeito que eu sou, ou vai. Entendi que eu mesma posso navegar nas ondas da felicidade e adquiri um tronco forte de navegador, avisa em “Navegador”, segunda música lançada. Com os metais afinados e guitarras à mais que violões ela explode, rasga o coração voltando atrás, com a promessa de trazer uma estrela da madrugada afirmando que vale à pena amar. Convence em “Será que um dia” e demonstra toda incerteza que temos em um relacionamento, se seremos o bastante e compreendendo que não é nada legal, desde o início, quando uma das partes “Abre mão das suas aventuras para viver as do outro”.

Essa última tem uma melancolia profunda, apesar de fazer o ouvinte dançar, Mallu quase chora ao microfone e faz chorar o ouvinte. Prometi pra mim que por um bom tempo irei pular essa faixa, por motivos ainda desconhecidos mas certa de que não aguento, suporto, ouvi-la.

“Vem” lança amanhã e essa aqui estava ansiosa desde de segunda feira à espera. O mais importante é que Mallu não tem segredo com seu público, ela solta as músicas que acha necessárias para irmos aturando a espera das demais faixas. E eu tô é muito feliz, se tem uma coisa que me deixa feliz é saber que um artista que acompanho está para lançar algo novo e que este não demora.

Backup.

Rio de Janeiro, 22 de abril de 2017 – 13h15min  23°C

Hoje é um daqueles dias que o frio toma conta de meus pensamentos os deixando cada vez mais leves e propícios a escrever. E hoje é sobre a primeira vez que te vi. Vamos deixar claro que desde aquele dia comecei um processo involuntário de não acreditar mais em romance e de que as pré relações estavam bem mais práticas. Foram 3 áudios, talvez 4 e fim. Passei o resto da semana sem dormir direito pensando o quanto era incrível essa sensação de pertencer a um momento e depois não conseguir mais pertencer a nada. Tentei explicar, tentei compreender e não havia o que compreender uma vez que me apaixonei por tudo que me fizestes sentir e por ter simplesmente ter partido, por ter ouvido o meu áudio de quase 2min e simplesmente ter sumido. Depois daquele sábado bem antes do Carnaval meu coração começou um processo de arder, de passar pelo seu bairro e lembrar de você como se um dia tivéssemos sido namorados, colocar umas músicas e lembrar de você, procurar na televisão entre os foliões do Carnaval tua sacada por todas as ladeiras que os blocos passaram. Em vão. Você? Apenas uma voz envolvente e que havia arrancado de mim o que mais querias. Desperdiçou, me fez sentir num acordo que não sai caro, e apaixonada.

Seu rosto sumiu, a marca ficou, impedindo até que eu acreditasse em relacionamentos, até mesmo que meu afeto tinha sido entregue a alguém em uma proporção que demasiada não prestou. Eu deveria contar-lhe sobre tudo, tudo. Porém como explicar que pensava muito em você? Como não temer ser massacrada pelos encaixes das novas relações tão desapegadas, cheias de emojis e sem palavras, enquanto tenho tantas… apegos e palavras.

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Se por acaso estou escrevendo sobre isso é sim, exatamente, porque algo foi retomado. Quem me tirou a maior das esperanças virou pop up com nome e sobrenome em um singelo “Oi”. E eu me perguntei, já incrédula, o motivo pelo qual estava me escrevendo (bêbado? drogado? motivado por um dia bom?). Poderia ter te deixado sem resposta, mas por sorte estava tendo um bom dia comigo mesma e você veio o que, para completar. Não parecia a mesma pessoa de antes e ah como era bom ouvir sua voz e te ler “estou aqui” mesmo sabendo que você pega no sono com facilidade e me falou algo sobre “tomar coragem”. Para alguém tão aparentemente resolvido com suas vontades, tomar coragem era o que eu menos esperava.

Não sabemos o que queremos de verdade, mas gosto de pensar em você nesse frio, na forma como me apaixonei e você já sabe, ou presupôs  depois de ter declarado que “eu nunca te esqueci”. Mas quem eu nunca esqueci? Nesse exato momento meu estômago embrulha na possibilidade de cair no esquecimento, de não ser importante o suficiente. Poderia apenas perpetuar em minha memória tudo que aconteceu, mas estou aqui escrevendo para que eu me lembre do que aconteceu e o que pode vir a não acontecer. Não acredito mais em promessas mas acredito no seu “sou sincero” e no ato de tomar coragem, e saber que aí no meio tem alguém que precisa disso.

Quanto a minha paixão por alguém que me mostrou a realidade nua e crua se não me mata me faz escrever.

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La La Land embotamento afetivo.

Desde o dia em que Antônio, meu professor de psicologia, falou sobre embotamento afetivo vez ou outra me pego embotada. E dessa vez é diferente, me pega na hora de dormir. É uma falta de ar e um choro que vai além do peito. Sou transportada para um lugar em que sonhos são apenas vagas lembranças de motivos propulsores, dias ensolarados me lembram de uma vida que não vivi, ando me surpreendendo em não ter como encorajar outras pessoas e me vejo também numa tentativa enorme de negar um fato: estou ferida, caída e extremamente machucada.

É comparado à uma cena de “O fabuloso destino de Amélie Poulain” na qual sua vizinha lhe questiona sobre a existência de milagres; “Não hoje”. Parece besta, um tanto utópico ficar comparando sempre com as mesmas referências. Há um mês atrás assisti La La Land e depois a vida fez tanto sentido, trabalhar para conseguir algo que eu sonhe (???) estava fácil de acreditar, havia também terminado um workshop sobre “Viver a jornada”, estava bem pronta e armada. Mas não se houvesse uma questão tamborilando minha estrutura.

A cidade das estrelas brilha para todos menos pra mim

Vou criando um personagem, soltando spoiler da realidade esporadicamente, enquanto vivo esse período escuro. Poderia referenciar a qualquer outra série ou filme, mas é melhor deixar isso para lá, também. Começar de vez, se ainda houver tempo, a falar em primeira pessoa, tirar essa falta de afeto e doar a alguém que precise de verdade, pegar mais sol, e por que não contar a alguém o quanto La La Land continua sendo um filme fantástico pra ver se mais alguém se apaixona, continuar a sentir-me na obrigação de dar frescor a esse coração sempre tão inspirado e que neste momento encontra-se necessitado de afeto.

(um post bem pequeno para inserir logo 3 imagens, regras)