Pessoal

O tanto de inominável que esse ano trouxe.

Episódio 1. Diga não ao Carnaval!

O meme do carro alegórico trazendo algo invisível foi real. Eu até ri mas era uma possibilidade; em seguida me deparei com um vídeo, do Carnaval, em que um cidadão sis branco e hétero transava com uma menina atrás das escadarias do Fórum (?).

Enquanto isso, sim, o inominável já estava entre nós. E porque o Brasil não seria atingido? Só se fosse em um filme e ainda por cima dirigido por um americano.

Olha, antes eu tivesse saído enquanto Carnaval era só um plano e veja bem, eu cogitei me fantasiar e ir de encontro na folia. Óbvio que se tratando de mim não se surpreende a escolha da casa, do conforto.

Pois bem, a impressão de que Janeiro, Fevereiro e meados de Março foram grande ilusões coletivas é perfeitamente aceitável. Tanto que pra mim o mundo é outro. Nesse mundo ontem às 3 da manhã chorei de molhar a almofada com medo de não viver mais; não é bem essa a realidade que quero pra mim. Sim, ainda estou com medo.

Episódio II. Tá todo mundo perdido. 

Já sei que se antes estava estranho agora ficou de vez, sem muita chance em particular de vislumbrar um futuro que não seja de um combate que eu não escolhi. Gente, a primeira vez que eu pus uma máscara fui pelo corredor todinho chorando. A fala abafada me deu a sensação de sequestro – se cala que é melhor pra você. Sabe quando o bandido te passa a silver tape? Voltei pra casa e “Nossa, como é triste usar isso”. Ouvi um “É” subentendido de muitas respostas.

Parei só um pouco para ler a concordância do texto e já fiquei pensando o que mais poderia escrever. Ah sim! As fases. A fase das séries virem acompanhadas de um refúgio passou – só mora em grande parte do tempo o vazio -, os livros não os consigo ler – parei de ler um tão tão interessante, “O jardim secreto” algo sobre uma menina enfezada bem longe da minha realidade habitando um cenário “givernesco”*.

Tá tudo tão invertido que eu mesma preciso pensar duas vezes antes de falar, escrever. A minha fase de dar respostas de pronto e cair na neutralidade passou, e caramba, preciso bolar uma resposta melhor e elaborar; não estou compreendendo o tempo, no que me tornei. Uma humana mais calada e reflexiva. Amparada por medos, sim, você não leu errado. Sempre tive medo do futuro e grande apatia por enxerga-lo –  vontade que eu tinha é igual a primeiro dia de qualquer coisa que você escolhe para melhorar sua vida, todo o gás e coragem. Bom, anotarei o que estou pensando para o futuro e em como vou me adaptar a ele.

No mais… Animal Crossing, mensagem inbox, condolências, descobrindo que InCircle é tão escroto como qualquer outro app, e madrugadas. Segue alguns podcast para jogar no Spotify e ouvir antes de dormir: Estamos bem, É nóia minha?, Afetos, Bom dia obvious, Sexoterapia, Esquizofrenia, Donos da razão e Podcast para tudo.

Não odeia a nossa bandeira não tá? Ela nunca será símbolo de fascismo enquanto tiver gente sensata para lutar.

*givernesco: lugar referente a moradia em que Monet viveu e pintou suas ninfeias. Giverny, lugarejo no interior da França.

Sem categoria

Meu pai.

Olha, tenho assistido Chesapeake Shore que é uma série da Netflix; a série trata de uma família que mora em uma cidade litorânea nos Estados Unidos. Logo no primeiro episódio acontece algo sem muita explicação e já no primeiro episódio há um salto de quinze anos na vida de 5 filhos. E advinha, é claro que é o tipo de série que não dá pra ter muito erro; o roteiro não se enrola muito, os dramas da família são resolvidos em uma cena ou no máximo dois capítulos; isso regado a jardins, balanços de frente para o mar, corridas na praia, noites enluaradas… ou seja, o cenário perfeito que eu já encontrei em Dawson’s Creek (a diferença é que tínhamos nos anos 90 adolescentes com maturidade e ideias muito desenvolvidas para seus 16 anos!!).

O pai dessa família, Mick, me lembra um membro da minha família e felizmente não é meu pai. Mas então quero escrever sobre as experiências em assistir a série e lembrar da minha vida. Várias, mas várias mesmo, vezes me pego com uma sensação de encaixe de situação – como me lembrar que meu pai m elevou para assistir um FlaxFlu com 6 ou 7 anos no Maracanã – e depois disso nunca mais assisti nenhum jogo em estádio – e estouraram um daqueles sinalizadores bem do nosso lado – estávamos eu, ele e minha mãe do lado da torcida do Fluminense, logo a fumaça verde e grená me fizeram tossir; lembro da mão do meu pai ateada na minha e nós três descendo as arquibancadas pra fugir da intoxicação hahah. Não lembro de mais nada desse dia, só da sensação de confiar em um homem que segurou a minha mão e que nunca me decepcionou; que tinha aquele espírito de família, agregava sensação de segurança para dentro de nossa casa e acolhia muito bem a todos que chegavam; talvez por ter sido comerciante em boa parte da vida ele lidava bem com o manejo entre pessoas que vem e vão.

Outra memória é a do Holiday On Ice. Ele me levou, dessa vez no Maracanãzinho, para assistir. O cheiro do gelo, apesar de estarmos distantes dele, me é familiar até hoje. Acredita que vez ou outra o vento trás o cheiro do gelo pela janela? Meu coração se enche de alegria.

Bem, assistir Cheseapeake Shore traz para a memória afetiva ótimas lembranças da minha infância. Por mais que o elenco viva a fase adulta eles sempre lembram casos da infância, e na maioria das vezes momentos bons, o que automaticamente (??) me faz recordar da minha relação saudável com meu pai. E… de como seria se ele ainda estivesse vivo.

Precisava vir aqui escrever sobre a série e sobre minha relação com meu pai, ou os momentos bons que lembro. Nesse momento complicado é bom lembrar de onde viemos.

Pessoal

Dizendo não, me libertei.

Desde que a pandemia começou, lá nos áureos tempos de Março e liberdade, eu que já olhava bastante meus comportamentos tive que me preparar para me comportar de uma forma não muito habitual, a de realmente preservar minha integridade emocional. Com isso tenho vários demônios liberados e eles me cobram ação. A pessoa bem aberta que existe em mim hoje tem seus limites, bem chatos por sinal. Lembro-me de não muito tempo atrás discutir com alguém por ter contado algo que não era para espalhar e ainda nessa ocasião afirmar que “por isso que eu não gosto de contar nada pra você, você tem que repassar para alguém”, e então percebi que a lealdade é uma das atitudes que espero de alguém.

Indo um pouco mais para trás nas minhas relações interpessoais dei graças por não ter caído no convite de reencontrar colegas de escola, e por que eu faria isso? Não faria, tenho motivos bem guardados para não fazê-lo. Tem coisas que devem ficar no passado; pra quê desenterrar? E aí eu venho para o presente. Às vezes esqueço por que eu terminei certas relações – um dos pontos é que a minha paz vale mais do que qualquer preocupação onde o sujeito é de tal forma a não mudar, ou se esforçar – e então aprendi que pessoas não mudam, elas podem melhorar certos aspectos mas mudar não. A tal armadilha de jogar a culpa do que está sentindo no outro era muito comum nas minhas relações, e quando eu dava por mim estava responsável por coisas que alguém sente, ou deduz que eu esteja passando sem eu nem ao menos dizer algo sobre, tipo beber se eu não gosto de beber; é o cumulo alguém chegar pra mim, como se eu não tivesse escolha, e dizer que me induzia a beber; se eu fiz algo provavelmente foi motivada por uma vontade de fazê-lo. Será que na época passei a ideia de que não tinha escolha? Provavelmente a pessoa que eu me relacionava achou por muito tempo que deveria escolher por mim, e eu deixei. Não deixo mais. Aliás esse foi o ponto que me fez querer escrever sobre isso, sobre o tão não usado “não”. Percebi depois de uma bela xícara de chá que estava novamente me culpando por ter provocado essa dor no outro, e já estava me punindo – mas não é possível! Foi então que concluí que continuo avançando nas minhas descobertas e que finalmente não sou mais assolada pela culpa que o outro sente por algo que não solicitei – cuidado, ajuda, e etc..

E em mais uma escolha de paz, essa um pouco mais difícil, estou sentada no chão das dependências do meu prédio, usando a energia que eu nem sei se posso usar – será que vão me cobrar? – a escrever esse post longe de perturbações, ou almoço de domingo. Notei que ao optar por não estar presente em certos momentos, estou optando por não sentir desconfortos que se arrastam e até mesmo me acordam no meio da noite. O chato disso tudo é não comunicar à parte de que me sinto de tal forma e com isso dar margem a interpretações mirabolantes sobre mim. Não é mais minha responsabilidade, mesmo.

Contando, Estudos

I wanna see Daylight!

É bem certo dizer que estou orbitando em um momento em que as emoções apresentam-se estáveis, ou na maior parte do tempo. Jamais ousaria dizer em voz alta que minha vida deu errado, enfim quando entendi, ou voltei a compreender o tempo da preparação e da exigência sutil da ação, os campos prometidos começaram a dar certo. Certo de uma forma que eu aprendo e usufruo. Nesse curto espaço de tempo, visto na ótica humana, aprendi uma verdade, que a verdade não me cabe expressar. Não há uma expressão, é apenas experiência única e exclusivamente minha com Deus.

Por trás de uma mente muito inquieta continuo existindo nessa condição horas imersa, horas em uma totalidade criativa. A totalidade criativa é um assombro diante de tudo que sabemos criar, aprendemos, sorvemos. Sabemos que os dardos são disparados para o alvo no momento em que precisamos desenterrar o que somos.

No curto espaço do tempo, visto pela ótica humana, ou por uma mente inquieta os acontecimentos têm a aparência de um relógio solar, é necessário saber ler as criações, e a dedicação ali posta que, na verdade não dita, não aconteceu de um tempo para outro.

E então acontecimentos gloriosos estão por vir. Não que eu saiba ou tenha notícias e sim porque uma mente inquieta é capaz de criar, e o que se cria acontece!