Backup.

Rio de Janeiro, 22 de abril de 2017 – 13h15min  23°C

Hoje é um daqueles dias que o frio toma conta de meus pensamentos os deixando cada vez mais leves e propícios a escrever. E hoje é sobre a primeira vez que te vi. Vamos deixar claro que desde aquele dia comecei um processo involuntário de não acreditar mais em romance e de que as pré relações estavam bem mais práticas. Foram 3 áudios, talvez 4 e fim. Passei o resto da semana sem dormir direito pensando o quanto era incrível essa sensação de pertencer a um momento e depois não conseguir mais pertencer a nada. Tentei explicar, tentei compreender e não havia o que compreender uma vez que me apaixonei por tudo que me fizestes sentir e por ter simplesmente ter partido, por ter ouvido o meu áudio de quase 2min e simplesmente ter sumido. Depois daquele sábado bem antes do Carnaval meu coração começou um processo de arder, de passar pelo seu bairro e lembrar de você como se um dia tivéssemos sido namorados, colocar umas músicas e lembrar de você, procurar na televisão entre os foliões do Carnaval tua sacada por todas as ladeiras que os blocos passaram. Em vão. Você? Apenas uma voz envolvente e que havia arrancado de mim o que mais querias. Desperdiçou, me fez sentir num acordo que não sai caro, e apaixonada.

Seu rosto sumiu, a marca ficou, impedindo até que eu acreditasse em relacionamentos, até mesmo que meu afeto tinha sido entregue a alguém em uma proporção que demasiada não prestou. Eu deveria contar-lhe sobre tudo, tudo. Porém como explicar que pensava muito em você? Como não temer ser massacrada pelos encaixes das novas relações tão desapegadas, cheias de emojis e sem palavras, enquanto tenho tantas… apegos e palavras.

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Se por acaso estou escrevendo sobre isso é sim, exatamente, porque algo foi retomado. Quem me tirou a maior das esperanças virou pop up com nome e sobrenome em um singelo “Oi”. E eu me perguntei, já incrédula, o motivo pelo qual estava me escrevendo (bêbado? drogado? motivado por um dia bom?). Poderia ter te deixado sem resposta, mas por sorte estava tendo um bom dia comigo mesma e você veio o que, para completar. Não parecia a mesma pessoa de antes e ah como era bom ouvir sua voz e te ler “estou aqui” mesmo sabendo que você pega no sono com facilidade e me falou algo sobre “tomar coragem”. Para alguém tão aparentemente resolvido com suas vontades, tomar coragem era o que eu menos esperava.

Não sabemos o que queremos de verdade, mas gosto de pensar em você nesse frio, na forma como me apaixonei e você já sabe, ou presupôs  depois de ter declarado que “eu nunca te esqueci”. Mas quem eu nunca esqueci? Nesse exato momento meu estômago embrulha na possibilidade de cair no esquecimento, de não ser importante o suficiente. Poderia apenas perpetuar em minha memória tudo que aconteceu, mas estou aqui escrevendo para que eu me lembre do que aconteceu e o que pode vir a não acontecer. Não acredito mais em promessas mas acredito no seu “sou sincero” e no ato de tomar coragem, e saber que aí no meio tem alguém que precisa disso.

Quanto a minha paixão por alguém que me mostrou a realidade nua e crua se não me mata me faz escrever.

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