Uma nau e um porto.

Sabe quando você lê nessas páginas feministas e/ou auto ajuda algo do tipo: “Se ame” – Se ame primeiro. Eu, sinceramente, nunca entendi de fato o “amar a si mesmo” – não que eu trave uma luta por não gostar de mim, mas não havia encontrado uma fórmula que iluminasse essa ideia do amar a si mesmo. Aliás, ame a si mesmo. Ame mas não com a fórmula de um livro, de um enorme texto sobre como fazê-lo. Cada mulher tem o seu jeito de amar a si e em consequência o outro.

Não consigo me amar vivendo completamente sozinha, não necessariamente preciso de alguém ao meu lado, preciso mesmo é ter a intenção de fazer bem a alguém de alguma forma. Se uma pessoa que eu admiro fica bem com um ato meu, isso faz com que eu me ame – ou esse ato tem haver com ego? À partir do momento em que meu ato é feito com coração, automaticamente estou livre de ego. E o que é o amor pra mim? É a liberdade que sinto dentro de mim mesma para liberar o meu verdadeiro eu – pronto, você já está se amando!

Não precisa se culpar por amar alguém de volta, mesmo que essa volta não faça tanto sentido e aconteça mais dentro do que fora. As relações acontecem muito mais dentro de nós mesmos do que em palavras. Ao longo do tempo vivi grandes histórias (estórias) que me levaram a aceitar que cada um tem um tempo e que nem eu e nem você estamos aqui para fazer do meu mundo uma grande fábrica de realizações de desejos.

Não é fácil elucidar essa ideia vendida do amor próprio, da quase autonomia completa. Certo dia parei e fiquei tentando entender a minha missão aqui no mundo, missão essa nada fácil, na-da, e que há anos fujo pro outro lado quando me deparo com ela. Isso é frustrante!! Requer que eu largue muitas ideias, e o mais estranho é saber que é algo totalmente necessário pra mim e para muitos que precisam, de verdade, com urgência de amor.

Sabe, enquanto isso, enquanto eu não tomo coragem de me rasgar por inteiro, de me jogar nesse mundo em que centenas de milhares precisam de verdade de um olhar mais atento e até mesmo resolver questões imediatas, vou errando, me ocupando de sensações maravilhosas mas que não fazem muito sentido a longo prazo – por que na verdade estou me refugiando dentro de algo em que não caibo, que não me foi pedido – dentro de mim, quando um mundo inteiro aqui fora necessita de mim.

– referências do filme “Pocahontas” que tem uma lição muito bonita.

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La La Land embotamento afetivo.

Desde o dia em que Antônio, meu professor de psicologia, falou sobre embotamento afetivo vez ou outra me pego embotada. E dessa vez é diferente, me pega na hora de dormir. É uma falta de ar e um choro que vai além do peito. Sou transportada para um lugar em que sonhos são apenas vagas lembranças de motivos propulsores, dias ensolarados me lembram de uma vida que não vivi, ando me surpreendendo em não ter como encorajar outras pessoas e me vejo também numa tentativa enorme de negar um fato: estou ferida, caída e extremamente machucada.

É comparado à uma cena de “O fabuloso destino de Amélie Poulain” na qual sua vizinha lhe questiona sobre a existência de milagres; “Não hoje”. Parece besta, um tanto utópico ficar comparando sempre com as mesmas referências. Há um mês atrás assisti La La Land e depois a vida fez tanto sentido, trabalhar para conseguir algo que eu sonhe (???) estava fácil de acreditar, havia também terminado um workshop sobre “Viver a jornada”, estava bem pronta e armada. Mas não se houvesse uma questão tamborilando minha estrutura.

A cidade das estrelas brilha para todos menos pra mim

Vou criando um personagem, soltando spoiler da realidade esporadicamente, enquanto vivo esse período escuro. Poderia referenciar a qualquer outra série ou filme, mas é melhor deixar isso para lá, também. Começar de vez, se ainda houver tempo, a falar em primeira pessoa, tirar essa falta de afeto e doar a alguém que precise de verdade, pegar mais sol, e por que não contar a alguém o quanto La La Land continua sendo um filme fantástico pra ver se mais alguém se apaixona, continuar a sentir-me na obrigação de dar frescor a esse coração sempre tão inspirado e que neste momento encontra-se necessitado de afeto.

(um post bem pequeno para inserir logo 3 imagens, regras)

Eu preciso ver esse balanço maldito;

Hazel Grace? Está tudo bem?

(O dia estava cinzento, frio e eu estava sentada na grama molhada do meu jardim. Sentada de frente para o balanço que o meu pai havia construído para mim quando ainda era pequena)

Fique um tempo balançando a cabeça.

“Não, não está…”


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Aqui está o balanço que o meu pai construiu pra mim. – eu disse a ele enquanto me sentava. “Hazel, eu quero que você saiba que todas as suas tentativas de me afastar de você não diminuirão o afeto que sinto por ti”. E todos nós, Hazel, somos uma bomba relógio.

Essa é uma cena do filme que me faz encolher em qualquer lugar que eu estiver e chorar. Pelo menos umas duas vezes ao ano tenho que deparar-me com o balanço maldito que o pai da Hazel construiu pra ela. E logo com o tanto de vazio que cabe em encolher-me e chorar.

Não precisei assistir ao filme nos últimos tempos, mas hoje o dia está absurdamente frio para quem acostumou-se com o calor (de todas as formas). Dou graças que é essa a personagem que me lembra, que me dá aquele start para escrever sobre dor, ela existe ali no filme e acaba com os créditos finais pra vir morar aqui no meio da minha confusão interna.

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“Você e essa mania de não querer ser esquecido”;

Criadores de expectativas:

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“No fim das contas, ninguém precisa nos oferecer grandes coisas para criarmos expectativas. Elas nascem naturalmente. Elas crescem absurdamente da nossa vontade exagerada e desesperada de sermos felizes logo. Pra ontem. Como se estivéssemos atrasados para pegar o ônibus rumo à felicidade. Sendo assim, ninguém é responsável pelas expectativas que criamos. Carregamos sozinhos a culpa pela ânsia de sorrir.” (Matheus Rocha) De: Neologismo.