La La Land embotamento afetivo.

Desde o dia em que Antônio, meu professor de psicologia, falou sobre embotamento afetivo vez ou outra me pego embotada. E dessa vez é diferente, me pega na hora de dormir. É uma falta de ar e um choro que vai além do peito. Sou transportada para um lugar em que sonhos são apenas vagas lembranças de motivos propulsores, dias ensolarados me lembram de uma vida que não vivi, ando me surpreendendo em não ter como encorajar outras pessoas e me vejo também numa tentativa enorme de negar um fato: estou ferida, caída e extremamente machucada.

É comparado à uma cena de “O fabuloso destino de Amélie Poulain” na qual sua vizinha lhe questiona sobre a existência de milagres; “Não hoje”. Parece besta, um tanto utópico ficar comparando sempre com as mesmas referências. Há um mês atrás assisti La La Land e depois a vida fez tanto sentido, trabalhar para conseguir algo que eu sonhe (???) estava fácil de acreditar, havia também terminado um workshop sobre “Viver a jornada”, estava bem pronta e armada. Mas não se houvesse uma questão tamborilando minha estrutura.

A cidade das estrelas brilha para todos menos pra mim

Vou criando um personagem, soltando spoiler da realidade esporadicamente, enquanto vivo esse período escuro. Poderia referenciar a qualquer outra série ou filme, mas é melhor deixar isso para lá, também. Começar de vez, se ainda houver tempo, a falar em primeira pessoa, tirar essa falta de afeto e doar a alguém que precise de verdade, pegar mais sol, e por que não contar a alguém o quanto La La Land continua sendo um filme fantástico pra ver se mais alguém se apaixona, continuar a sentir-me na obrigação de dar frescor a esse coração sempre tão inspirado e que neste momento encontra-se necessitado de afeto.

(um post bem pequeno para inserir logo 3 imagens, regras)

Eu preciso ver esse balanço maldito;

Hazel Grace? Está tudo bem?

(O dia estava cinzento, frio e eu estava sentada na grama molhada do meu jardim. Sentada de frente para o balanço que o meu pai havia construído para mim quando ainda era pequena)

Fique um tempo balançando a cabeça.

“Não, não está…”


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Aqui está o balanço que o meu pai construiu pra mim. – eu disse a ele enquanto me sentava. “Hazel, eu quero que você saiba que todas as suas tentativas de me afastar de você não diminuirão o afeto que sinto por ti”. E todos nós, Hazel, somos uma bomba relógio.

Essa é uma cena do filme que me faz encolher em qualquer lugar que eu estiver e chorar. Pelo menos umas duas vezes ao ano tenho que deparar-me com o balanço maldito que o pai da Hazel construiu pra ela. E logo com o tanto de vazio que cabe em encolher-me e chorar.

Não precisei assistir ao filme nos últimos tempos, mas hoje o dia está absurdamente frio para quem acostumou-se com o calor (de todas as formas). Dou graças que é essa a personagem que me lembra, que me dá aquele start para escrever sobre dor, ela existe ali no filme e acaba com os créditos finais pra vir morar aqui no meio da minha confusão interna.

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“Você e essa mania de não querer ser esquecido”;

Criadores de expectativas:

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“No fim das contas, ninguém precisa nos oferecer grandes coisas para criarmos expectativas. Elas nascem naturalmente. Elas crescem absurdamente da nossa vontade exagerada e desesperada de sermos felizes logo. Pra ontem. Como se estivéssemos atrasados para pegar o ônibus rumo à felicidade. Sendo assim, ninguém é responsável pelas expectativas que criamos. Carregamos sozinhos a culpa pela ânsia de sorrir.” (Matheus Rocha) De: Neologismo.

Visão sobre cinema europeu.

De alguém que é entusiasta, nada técnico, apenas percepções!

Os filmes europeus que já assisti: Vicky Cristina Barcelona, Blue Jasmine,  (esses do Woody Allen são norte-americanos — minha total falta de pesquisa nessas horas.) Amelie Poulain, A espuma dos dias e O novíssimo testamento. Juro que tem outros mas a memória me falha.

Os roteiros

Adoro a narrativa, sempre tem alguém que conta a história, uma personagem ou uma voz de um francês rápido e sarcástico. Costumo dar risadas com essas narrações. A narrativa em si é gostosa de acompanhar, costuma contar detalhes dos personagens, e isso me faz analisar os distúrbios que os diretores insistem em aplicar neles, como todos têm mas às vezes não fica implícito.

Um clássico é a cena onde do alto do prédio Amelie Poulain solta um “Quinze”, se referindo a quantos casais estão tento orgasmos naquele momento.

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Os diálogos

Cômicos. Talvez porque eu em particular ache a pronúncia do francês com raiva bem caricata. Mais uma cena clássica de quando Amelie sobe no telhado do vizinho e resolve se vingar dele desligando a antena da tv, ele se irrita e solta uns palavrões (racho que rir!). Até existe bastante diálogo em “Vicky Cristina Barcelona” que poderia sair do meu time de filmes-europeus-não-americanizados. Mas é óbvio que se aplica porque com certeza é um dos filmes que mais me emociona com o narrador introduzindo a história seguida das cenas.

As personagens

Do último que estou assistindo (pausei no início), “The Brand New Testament”, a menina que se passa como filha de Deus flui entre as cenas como uma peça chave mas que não é percebida pela família até aprontar. Ela narra a história e passeia por cenário fantásticos, como o escritório do pai, nunca antes visitado. Não deixa de ser também uma personagem cômica desde a forma como se sente à forma como narra a história. A conversa com J.C é a melhor!

Todos fogem àquelas personas reais do cinema americano. Como assim? São pessoas que parecem ter saído de um sonho, que entra no meu inconsciente analítico – analiso secretamente aquela personalidade por um vasto espaço de tempo. Aprecio filmes americanos, mas não sei exatamente exemplificar em palavras os personagens europeus. A forma como são dirigidos, norteados e em quem se inspiram!

*

Assistam ao cinema europeu. Nem todos gostam, dizem ser uma bosta, uma loucura, não conseguem prender-se por muito tempo à história. Falar do cinema americano é facílimo, resenhamos filmes com facilidade, mas já o cinema europeu requer um pouco de tempo debruçado sobre as cenas e as percepções para serem descritos.