Carta aberta ao meu primeiro amor.

thisisnotalovestoriehavia uma data marcada para nos encontrarmos e isso é bem louco. alguém me perguntou como estava meu coração e dois meses depois nos conhecemos. mas você sabe que eu te esperava desde o início de 2009. você tem uma história de sucessão de términos e recomeços rápidos, e eu fui um recomeço rápido, não diríamos que duraria tanto tempo, mas eu acho que você quis aprender um pouco, e eu quis amar. obviamente que eu fui amada de volta. e eu sei que continuo sendo amada. foram inúmeras vezes em que eternizamos sentimentos em músicas, pôr do sol, viagens, pegar de mão de supetão, de beijo no muro que hoje não existe mais, de olhar nos olhos e nos enxergar ali e de eu e você termos encontrado nesse mundo alguém que podemos ser nós mesmos, das esquisitices ao melhor de nós mesmos.

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comparo a sensação de termos namorado à primeira vez que comi torta alemã. eu sabia que aquela sobremesa seria a minha preferida. eu sabia que a nossa história seria segura. não há até o momento sensação que supere acordar e saber que existe alguém nesse mundo que está com você, e também acordar 5:30am com um beijo de bom dia. de repente você quis transformar a nossa relação na melhor relação pra mim, e obrigada, deu certo!

um dos sintomas de que amei é ser pega de surpresa por lembranças tão vivas que as posso sentir. é lembrar de você quando olho uma nuvem, ou paro no meio da rua e fico sentindo o vento passar por mim. é tentar desvincular a sua imagem de boa parte daquilo que existe em mim. é querer recomeçar mas ter medo de chorar e ter que explicar.

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mas acabou. acabou mesmo. só resta as lembranças e as sensações bem vivas. nenhuma peça de roupa. nenhum cheiro. nada. só essa estrada e faz calor, da mesma forma que nos conhecemos, no Verão. que venha logo o Outono? é amor, não é estação. a não ser aquele metrô que você pegou e disse ‘você vale à pena’. foi a última vez que a gente amou.

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Eu preciso ver esse balanço maldito;

Hazel Grace? Está tudo bem?

(O dia estava cinzento, frio e eu estava sentada na grama molhada do meu jardim. Sentada de frente para o balanço que o meu pai havia construído para mim quando ainda era pequena)

Fique um tempo balançando a cabeça.

“Não, não está…”


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Aqui está o balanço que o meu pai construiu pra mim. – eu disse a ele enquanto me sentava. “Hazel, eu quero que você saiba que todas as suas tentativas de me afastar de você não diminuirão o afeto que sinto por ti”. E todos nós, Hazel, somos uma bomba relógio.

Essa é uma cena do filme que me faz encolher em qualquer lugar que eu estiver e chorar. Pelo menos umas duas vezes ao ano tenho que deparar-me com o balanço maldito que o pai da Hazel construiu pra ela. E logo com o tanto de vazio que cabe em encolher-me e chorar.

Não precisei assistir ao filme nos últimos tempos, mas hoje o dia está absurdamente frio para quem acostumou-se com o calor (de todas as formas). Dou graças que é essa a personagem que me lembra, que me dá aquele start para escrever sobre dor, ela existe ali no filme e acaba com os créditos finais pra vir morar aqui no meio da minha confusão interna.

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“Você e essa mania de não querer ser esquecido”;

Criadores de expectativas:

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“No fim das contas, ninguém precisa nos oferecer grandes coisas para criarmos expectativas. Elas nascem naturalmente. Elas crescem absurdamente da nossa vontade exagerada e desesperada de sermos felizes logo. Pra ontem. Como se estivéssemos atrasados para pegar o ônibus rumo à felicidade. Sendo assim, ninguém é responsável pelas expectativas que criamos. Carregamos sozinhos a culpa pela ânsia de sorrir.” (Matheus Rocha) De: Neologismo.

Saquarema e o coração que não dormia.

Era o ano de 1995, um ano depois de ter perdido meu avô por parte de mãe, estávamos no Verão e prefiro puxar pela memória e acreditar que estávamos em Janeiro. Era uma criança normal e ansiosa como outra criança que tem vizinho hiperativos. Lembro que a Jane de tarde anunciou que iríamos no dia seguinte para Saquarema, sairíamos às 05 da manhã (viajar enquanto esperávamos amanhecer!!!!!1111). O “sairíamos” continha: eu, minha mãe (a motorista por que até então Jane não queria aprender a dirigir), Jane, a Alessandra e as crianças começando pelo menor, Rennan, Raphael, Daniel e Luciana dentro de um carro grande mas não tão grande para essa quantidade de gente. Meu coração nessa época não ligava para aperto, contanto que chegássemos à praia, a minha primeira viagem pra longe, para o mar longe de Copacabana.

Pensa se eu dormi. Não, eu não dormi e aquilo não tirou a minha energia, pelo contrário. Meu coração passou à noite toda ansioso para viver essa aventura de pegar a estrada – as poucas vezes que peguei a estrada foi quando papai levava a mim e a mamãe para Teresópolis, e então aprendi a guardar dentro de mim uma ansiedade que hoje chamo de “estrada e montanhas” que costuma deixar o coração feliz enquanto o mundo fica para trás.

As crianças da casa ao lado a 202 dormiram de biquíni e sunga. A idade máxima era 11 e já estávamos acostumados a aprontar das nossas quando o assunto era água. Enchíamos o terraço de água fechando o ralo, no fim havia um desnível de chão que formava um bolsão d’água. Dávamos impulso na parede e no meio do terraço nos jogávamos com tudo batendo a barriga no chão ao encontro da mini piscina no fim. Imagina Saquarema!

Não posso contar como foi a viagem pois de verdade não me recordo, mas posso contar da praia mais brava depois da Barra da Tijuca, a da Igrejinha batia com sua ondas imensas que se chocavam com a pedra da igreja. Meu biquíni era verde água e mamãe nunca me impediu de entrar no mar, e desta vez não seria diferente. A diferença é que as crianças sabiam nadar e eu não, acho que nesse dia finalmente enfrentei a dor no coração ao ser submergida por uma onda e descobrir que sobrevivi! E como toda criança, depois da primeira onda vieram umas 100, e lembro da Luciana me ensinando a nadar cachorrinho. Me lembro que veio uma onda tão forte que me jogou lá na areia, não contei como algo ruim, a onda me deu a ideia de entrar no mar, dar as costas e esperar a próxima onda. Assim que a onda viesse me jogaria deixando que ela me levasse de novo para a beira da praia. Foram sucessivas vezes, e como toda criança, sim eu batia nos pés dos adolescentes que estavam na beira esperando para entrar no mar com suas pranchas.

Almoçar? Não lembro. Me hidratar? Não lembro! Adorava ficar queimada de praia nessa época da vida, Jane, minha vizinha, fazia umas misturas estranhas dentro do vidro de detergente, eu nunca usei, só usava o bronzeador dela. Não sabia o que era filtro solar, mas Caladril era muito conhecido! Só de pensar já sinto a pele esturricada e dolorida, os ombros em especial. Era o maior barato ficar com blush natural hahah.

Provavelmente voltamos dormindo, saímos de Saquarema umas 5 da tarde, a melhor hora para pegar a estrada. Aquele entardecer, o cheiro dos ipês que ficam para trás, o vento no cabelo todo embaraçado de sal e sol. O coração tinha certeza de que tinha valido à pena toda aquela aventura, afinal era a primeira vez longe do litoral carioca, afinal eu havia aprendido a nadar em um mar bravo e hoje depois de uns 25 anos manter viva e fresca a memória desse dia.

Esse texto é em homenagem à criança que eu fui, pelo dia das crianças amanhã e pela criança que ainda mora no meu coração. <3